quarta-feira, 2 de março de 2011

[ alaúde ]

O ano de 2011 ainda vai começar. Obviamente porque vivemos em um país onde as coisas só ficam sérias depois do Carnaval - com inicial maiúscula, dada a propriedade semântica do evento.

Porém, o post de hoje, que vem inaugurando o ano de 2011 (neste tão modesto blog da vida privada), não vai se destinar a detalhar o Carnaval. Aliás, não vai descrever o Carnaval que está por chegar... pois, se eu for fazer alusão ao Carnaval que já festejo dentro de mim, posso dizer que todas as letras estão enfeitadas com confetes e serpentinas.

A palavra de ordem, então, será alaúde.

Antes, o significado:
Antigo instrumento de cordas dedilháveis, de origem oriental, com a caixa de ressonância sensivelmente abaulada, sem costilhas e em forma de meia pêra, e com a pá do cravelhame inclinada, formando ângulo quase reto com o braço longo; Escaler da nau; Pequena embarcação para a pesca.

Agora, a utilização numa frase:
E veio com sua alaúde para cantarolar o mar nos meus ouvidos.

É. É isso.

Hoje tudo ficou azul. O ar está passando mais leves pelos meus pulmões, e a emoção está oxigenando a razão. As dúvidas, os medos, as incertezas, os receios... tudo clareou. A música se fez verbo, personificou meu desejo.

E por falar em música... Consegue ouvir? Pare, e ouça. Eu posso ouvi-la em todo lugar. No vento... No ar... Na luz. Está ao nosso redor. A gente só precisa ouvir. Há música em tudo, em nada, no pensar, no calar, no olhar... e no tocar.

O meu cronômetro introjetado de segundos prolongados e horas que passam num piscar de olhos avisa que é tempo de ver o tempo passar, mesmo que ele não tenha pressa de passar.

É tempo de observar. E de se permitir também. Permitir-se em novas aventuras, encantadas de pensamentos outrora duvidáveis, mas que agora se fazem entender.

Vou seguir meus dias assim. Embalada pelo som da alaúde.


[ Observando o grão que é você na minha vida. ]

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