quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

[ sintonizando ]

A energia está diferente. As pilhas sintonizaram, como que saindo da geladeira, novinhas em folha. Agora meu coração sabe cantarolar para minha alma, certamente o discurso está coeso. Ah, e antes que me esqueça: os parágrafos encurtaram, e agora só querem traduzir o samba daquilo que é colorido, cheiroso e refrescante.

O sol chegou, bem quente, com um sorriso lindo e apaixonante. Contagiou-me! Deixe que lhe contagie também. Sentir o calor amarelo-fluorescente, de ofuscar a vista, é sensacional. Eu me entreguei, e meu vestido de cetim está esvoaçando por entre as nuvens. Tudo caminha em festa. A seresta toca, o violão dedilha e a paixão me leva.

Só o amor me ensina onde quero chegar. Cansei de ser sozinha. Ou de me despedaçar para os outros. Me juntei em mim. Está montado o quebra-cabeça de meus tantos pedaços, e minha aquarela está exposta. Escancarada. E é tão linda. Não pintei sozinha, você sabe disso. Sou o resultado dos meus dias inteiros. Sou aquilo que minha boca canta, saliva e reverbera.

Por onde for, serei comigo, o trato é esse. Mas, quem disse que não estou aberta a tantas aventuras? Que não topo tantas loucras? Ah, o mel da loucura já é meu vício. Estou levando pela mão a criança que dormia em mim. E ela chegou sorrindo, com a risada frouxa, e alta. Deixou os olhos em mim, e agora sou só isso. Alegria. A porta abriu e o devaneio entrou, se atirou em mim.

Eu conheço tantas vidas. Sou de tantos contos, e cantos. Mas, agora sossegou. A temperança assumiu a orquestra, e as notas dançam nos meus segundos. Meu coração voa alto, mal consigo alcançá-lo. E também o deixo ir. Coração foi feito para partir (de ir) e partir (de despedaçar).

As folhas secas fazem aquele croqui-croqui gostoso de ouvir embaixo de meus pés. Caminho no meio fio, me equilibrando e desequilibrando. Não tem insegurança, e agora tem a sua mão. Está melhor brincar assim. Brincar desse jeito, em que nós giramos e giramos e giramos. Vou festejar o seu querer no meu sonhar.

E o sol segue me quiemando, preparando minha epiderme suada para a noite, que chega com a Lua para me acalmar, para soprar maresia nas ondas dos meus cabelos, negros ensolarados.

Vem que tem!
Sempre. Muita coisa boa, para quem ousar e souber usar.

PS.: Hoje arrebatou-me uma vontade de encerrar o post com um beijo. Um beijo bom.

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