sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

[ tintas ]

Hoje isso aqui virou diário. Descaradamente. Estou tão feliz que preciso contar a todos vocês. Chamem os jornaleiros, quero anunciar. Quero uma manchete da minha vida em CAIXA ALTA. Quero dizer que meus olhos vidram com o cheiro do tudo que se fez novo, com o sabor de fruta madura (e mordida), com as cores que estão bem mais vibrantes.

Também é preciso dizer que amanheceu um verão escaldante dentro de mim. Tudo corrobora para a felicidade. Até o amor, simpático e despretensioso amigo, chegou com flores nos meus pensamentos. O mar me deu a certeza e a crença de uma alma lavada, que passeia num lounge onde tudo se perde, e se cria também. As tintas estão jogadas nas paredes do meu eu, ainda não consigo dizer o que se desenha e o que se contorna nos traços quentes, mas sinto que um bom vinho na noite de hoje anoitecerá uma mistura de brsços, abraços e explicações.

"Vamos entrar, a minha casa não é quente, trago o vermelho pra esquentar."

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

[ sintonizando ]

A energia está diferente. As pilhas sintonizaram, como que saindo da geladeira, novinhas em folha. Agora meu coração sabe cantarolar para minha alma, certamente o discurso está coeso. Ah, e antes que me esqueça: os parágrafos encurtaram, e agora só querem traduzir o samba daquilo que é colorido, cheiroso e refrescante.

O sol chegou, bem quente, com um sorriso lindo e apaixonante. Contagiou-me! Deixe que lhe contagie também. Sentir o calor amarelo-fluorescente, de ofuscar a vista, é sensacional. Eu me entreguei, e meu vestido de cetim está esvoaçando por entre as nuvens. Tudo caminha em festa. A seresta toca, o violão dedilha e a paixão me leva.

Só o amor me ensina onde quero chegar. Cansei de ser sozinha. Ou de me despedaçar para os outros. Me juntei em mim. Está montado o quebra-cabeça de meus tantos pedaços, e minha aquarela está exposta. Escancarada. E é tão linda. Não pintei sozinha, você sabe disso. Sou o resultado dos meus dias inteiros. Sou aquilo que minha boca canta, saliva e reverbera.

Por onde for, serei comigo, o trato é esse. Mas, quem disse que não estou aberta a tantas aventuras? Que não topo tantas loucras? Ah, o mel da loucura já é meu vício. Estou levando pela mão a criança que dormia em mim. E ela chegou sorrindo, com a risada frouxa, e alta. Deixou os olhos em mim, e agora sou só isso. Alegria. A porta abriu e o devaneio entrou, se atirou em mim.

Eu conheço tantas vidas. Sou de tantos contos, e cantos. Mas, agora sossegou. A temperança assumiu a orquestra, e as notas dançam nos meus segundos. Meu coração voa alto, mal consigo alcançá-lo. E também o deixo ir. Coração foi feito para partir (de ir) e partir (de despedaçar).

As folhas secas fazem aquele croqui-croqui gostoso de ouvir embaixo de meus pés. Caminho no meio fio, me equilibrando e desequilibrando. Não tem insegurança, e agora tem a sua mão. Está melhor brincar assim. Brincar desse jeito, em que nós giramos e giramos e giramos. Vou festejar o seu querer no meu sonhar.

E o sol segue me quiemando, preparando minha epiderme suada para a noite, que chega com a Lua para me acalmar, para soprar maresia nas ondas dos meus cabelos, negros ensolarados.

Vem que tem!
Sempre. Muita coisa boa, para quem ousar e souber usar.

PS.: Hoje arrebatou-me uma vontade de encerrar o post com um beijo. Um beijo bom.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

[ esquentou ]

Faz calor. E borbulha tudo dentro de mim. A amada alma está fervendo. E meus olhos fulminam labaredas. Parece-me que o caos se instalou. A esperança de vida aquece a caldeira dos meus sonhos, que outrora eram leves como a brisa da aurora. Agora, não mais. Tudo esquentou. As pessoas de minha vida também esquentaram. Como disse, tudo fervilha. Hoje o vento não balançou meus cabelos. Eu até vi as folhas nas árvores ensaiarem sua dança, mas não escutei a melodia. O calor ensurdeceu minha sensibilidade. Fico me questionando o porquê deste mormaço não trazer a felicidade pueril dos dias comuns de verão... Talvez o verão tenha chegado diferente, como um menino do Rio. Será que me permiti demais? Ou permiti demais aos outros? Não sei. Sei que está tudo derretendo. E tenho muito medo que as lavas que de mim escorrem não tornem a avermelhar meu pulsar-vibrar novamente, e eternamente, como um "éter na mente".

PS.: Você sabe que escrevo pra você. Não deixe de conferir o tanto de você aqui.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

[ os pedaços de mim ]

Fluir. Esse verbo tem me consumido de forma avassaladora nos últimos dias. Tenho me deixado embalar por um enredo sinestésico, intenso e muito colorido. E a aquarela que está na ponta do meu pincel não obedece minha razão, aliás, é escrava de minha emoção. Olho para adiante e só consigo ter uma única certeza: sorrisos. Sorrisos meus, misturados aos teus, formando os nossos.

Dia desses fui à praia. Mas o fiz de uma maneira inusitada. Peguei um ônibus na avenida e desfilei meus pensamentos na passarela do cotidiano banal, que todo dia se apresenta para mim, e para você, e deixamos passar despercebido.

Pela janela do ônibus eu vi tanta coisa. Vi uma vida que passa despretenciosa, como que embalada por um samba na Lapa. Vi pessoas nunca antes vistas, mas que me derramaram conversas, olhares e cheiros. É, cheiro. E não me refiro ao cheiro perjorativo de quem maldiz o "andar de ônibus". Senti cheiro de gente. Senti cheiro de calor. Em poucos minutos, entrei na vida de um punhado de gente. Senti-me participando de cada estória que ia sendo contada. Ri muito dentro de mim, e descobri que esse é o melhor alimento para a alma... rir em silêncio.

Voltando ao motivo que me convocou ao ônibus, cheguei na praia com a cabeça borbulhando de idéias, de gente e de mim. Tudo fluiu extraordinariamente normal quando olhei de perto os grãos daquela areia fina que tracejam o litoral de nosso país. Meu marzão me abraçou com seu caldo quente de verão e tirou de mim todos os pedaços maltrapilhos, que ainda insistam em acizentar minha aquerela. Ah, e não conseguia pensar em outra coisa, que não na multidão de emoções que havia vivenciado há pouco, dentro de uma caixa com rodas que me liberou a quimera dos pensamentos.

Encerrado o compromisso com a praia, voltei ao start de meus delírios e aterrisei em outra condução, que me transportou para mais longe. Nessa viagem, tive o presente do acaso que me colocou no banco de trás o azul caribe dos olhos de meu amigo Bandeira. Havia vivido instantes de graça com ele dias atrás e lá estava novamente me contagiando pelo perfume da nossa amizade. A conversa curta, de quem está prestes a descer na próxima estação, permitiu-nos eternizar o carinho que há tanto tempo havíamos engavetado (tempo esse que não os dias atrás a que ali me referi, mas o de longas datas, quando ainda éramos sonhadores natos). Isso para mim foi a prva de quem o universo estava conspirando a favor.

Voltei para casa e, no banho, vi descer junto com a maresia os meus pedaços de mim. Tinha de toda cor, mas os que mais esvaiam eram os acinzentados. Foi aí que percebi o enorme valor de nos rendermos ao lado sutil que nossa vida nos presenteia diariamente. É. Isso mesmo. Aquele papinho clichê de que o Sol nasce e se põe todos os dias e não o percebemos arrebatou-me a alma e, de ontem em diante, só terei olhos para aquilo que fluir. Fluir em mim, com a velocidade de quem tem pressa para ir devagar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

[ silenciar ]

O silêncio grita, e também faz companhia. Ora ao lado, ora lá longe. Às vezes, sabemos nos encontrar no silêncio, outras tantas é difícil calar. Difícil porque calar é apenas escutar a si mesmo, sem interferência de outrém. É um constante ouvir/contar da alma. Um jogo de colocar pausas e vírgulas na dança da vida.

[ Sinto-te mais, bela vida. E sinto-te mais bela, vida ].

O compasso da memória requer pormenores delicados, encaixados de cotidiano. Escolhemos um abraço demorado, e dispensamos um bailado por entre parques [ do nosso silêncio de outrora ]. O resultado disso tudo é voltar às entrevistas da vida, nas entre vistas do viver, chamando vocativos e construindo apostos, que evocam nossos sonhos, trazendo-os ao agora.

Aquele [ agora demorado ] que teve pressa em chegar, e senta com um suspiro em punhados de desejos, bem no regaço acolhedor da paz, mansa paz.

Repetição. Saturação. Números a mais.
Perdas. Compensações. Desistências. Insistências.

[ É assim ].

Com lacunas. Com brechas. Sem pausas. Com pressa.
Abraço desconhecido, há tanto tempo esperado, sonhado.
Passos. Laços. Braços.
Beijos, e pernas também.
Boca e suor. Quente, e saliente.

Contextos. Pretextos. Ensejos. Essência. [ Paciência ].
Vícios e suplícios. Falas, fases e frases. Pontos, e não reticências.
Campos, lagos e afagos. Céu e mel. Chuva e fel.
Querer tudo no breve espaço do eterno acalentado.
Acalmado. Colocado, posto e [ terminado ].



"Nada mais estulto que tratar com seriedade coisas frívolas, mas também nada mais espiritual que fazer com que as frivolidades sirvam às coisas sérias." - Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam.