Amanhã terei um dia muito esperado. Assim como tantos outros, em que depositei tantas expectativas, tanto afinco e tanto esmero. Amanhã, um dia dentre tantos no calendário, mais um somado aos vários que já joguei na aquarela da arte que é existir, ou melhor, viver.
Muito já experimentei no que se refere a colocar os pés na realidade e molhar as mãos num velho refrão. Ultimamente tenho sede desses dias, em que eu cantei para mim mesma e dancei na beira-mar de meus delírios, espalhando meu vestido no seio da canção. É. Nucna é em vão. Um novo dia é o que quero experimentar amanhã.
Faz tempo que eu passo pelos meus dias, preciso admitir. Eu quero que eles passem em mim e, nos lábios de cada manhã, vou assumir a promissória desse contrato. Não vou deixar o bico alheio roubar meu mau humor, ou as insatisfações desmedidas dos viventes vizinhos me assaltarem a felicidade. Vou reparar aqueles olhares de cor clara, de luz, de beleza solar e rota lunar. Vou caçar e capturar beijos. Vou reduzir os abraços. Claro. Só assim poderei encontrar braços mais demorados e entrelaçar-me neles de olhos bem fechados. Não vou deixar o tédio enguiçar minhas juntas e o cansaço secar meu sangue.
Eu vou desejar cores. Quero o vermelho para ir nas festas, e o azul para tomar banho de mar. Vou pegar o laranja e misturar com o amarelo para aqueles dias de verão bem quente. Não vou esquecer de usar o roxo para sentir saudade, e preto para viver meus lutos. Ah, e vou usar muito o branco... esse vai quase desbotar, rs! Vou usá-lo todos os dias para delinear meus vôos na pista das minhas reais ilusões. Quero uma festa de cores! Decidido.
E... voltando ao meu dia de amanhã, aquele em que deposito agora todas as energias que pulsam em mim, quero que me desperte, depressa, dizendo: "Vi o sol enluarar quando vi você!"
Vontade do seu abraço.
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