
Conheço-me tão bem, que pouco sei de mim.
Um dia disseram-me para ser mais ácida, posto que seria para sempre. Decidi, desde então, não ceder aos desejos de outrém... Percebi que sendo nos outros, deixava de acontecer em mim.
Então, resolvi deixar o barco à deriva e seguir à margem. Sem ser ácida. Nem doce. Sendo intensa. Provei sabores indescritíveis. Ouvi, de perto, a felicidade dizendo "vou com você". Foi quando descobri que o tempo é uma grandeza relativa. Quando desejamos, acontece, pena não haver triagem para o bom e ruim. Foi simples: desejei, aconteceu. Ora, surreal. Ora, fatal.
Quando desejei voltar ao barco, vi que perdera a viagem. Não por perder o porto, mas por estar em outros mares.
Avante. Apontei e segui. Corri, cansei, suspirei, quase desisti, mas cheguei ao lugar que jamais ousara imaginar. Cheguei dentro de mim. Descobri que o rio eram meus dias, que a margem era o tempo, e que o barco, as pessoas. Perguntei-me, então, o porquê da viagem ter mudado... o porto ter sumido... e o cenário não ser o mesmo... A resposta veio sutil, ligeira. Disse-me para acordar, posto que o dia já me convidava para a realidade.
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