terça-feira, 24 de novembro de 2009

[ tempo pra trás ]





Postagem dedicada única e exclusivamente à nostalgia do momento que está no retrato.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

[ sinopse ]

Para ele, onde estiver.






Silêncio. Silêncio que grita e extravasa. Silêncio que faz companhia, que é cúmplice da solidão tumultuada. Silêncio quando ainda é cedo, amor. Silêncio também quendo é tarde, e quando não há mais tempo.

Palavras. Palvras que são um moinho. Palavras vazias de tanto conteúdo, de tantos significados. Palavras que são números. E números que não conseguem contemplar as palavras.

Beleza. Beleza efêmera. Beleza sutil, que é transparente e bailarina. Ah, beleza. Aquela que não se vê, amor. Beleza de grandeza. E não mania de beleza. Essa delicada grandeza, com suave perfume. Uma beleza desconhecida, que revela, que se torna comum por ser singular.

Choro. Transbordar da alma. Choro de alegria, e de trsiteza. Tristeza que tem ausência de beleza. Choro que é riacho, que é mar, e que é córrego. Choro da triste senhora, choro do menino moleque. Choro de vitória, e choro de derrota.

Vida. Pulsando. Passando. Lembrando. Cantando. E também correndo. Sofrendo. E trazendo. Sem esquecer do sorrindo. Caindo. E esvaindo.




"Às vezes os meus dias são de par em par." (Cazuza)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

[ o mundo é um moinho ]

Preste atenção, querida
Embora saiba que estás [ resolvida ]
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo [ não serás mais o que és ]

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o [ cinismo ]
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste [ com teus pés ]




É, pois é. Bem queria eu que o poeta Cartola estivesse me fazendo companhia nesta noite regada de hormônios, os quais me roubam o riso frouxo e me assaltam a paciência. Queria mesmo era um bom samba de pandeiro, datilografado com minhas histórias, embalado no meu rebolado.

Mas, querida, para ti apenas sobrou o abismo que cavaste com teus próprios pés. Ele está aqui assoviando isso nos meus ouvidos (pediu-me para dizer).

Então, cá vou eu... Mergulhar nesse abismo. Mas, só por esta noite. Assim está de bom tamanho. Chora, disfarça e chora... Aproveita a voz do lamento, que já vem a aurora... Ô triste senhora, disfarça e chora, todo pranto tem hora...


[ já estou indo, Cartola ]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

[ lábios da manhã ]

Esperar um novo dia é a minha maior aventura. Adoro sentir os lábios da manhã oferecendo-me um dia escancarado, transbordando de oportundiades e surpresas.

Amanhã terei um dia muito esperado. Assim como tantos outros, em que depositei tantas expectativas, tanto afinco e tanto esmero. Amanhã, um dia dentre tantos no calendário, mais um somado aos vários que já joguei na aquarela da arte que é existir, ou melhor, viver.

Muito já experimentei no que se refere a colocar os pés na realidade e molhar as mãos num velho refrão. Ultimamente tenho sede desses dias, em que eu cantei para mim mesma e dancei na beira-mar de meus delírios, espalhando meu vestido no seio da canção. É. Nucna é em vão. Um novo dia é o que quero experimentar amanhã.

Faz tempo que eu passo pelos meus dias, preciso admitir. Eu quero que eles passem em mim e, nos lábios de cada manhã, vou assumir a promissória desse contrato. Não vou deixar o bico alheio roubar meu mau humor, ou as insatisfações desmedidas dos viventes vizinhos me assaltarem a felicidade. Vou reparar aqueles olhares de cor clara, de luz, de beleza solar e rota lunar. Vou caçar e capturar beijos. Vou reduzir os abraços. Claro. Só assim poderei encontrar braços mais demorados e entrelaçar-me neles de olhos bem fechados. Não vou deixar o tédio enguiçar minhas juntas e o cansaço secar meu sangue.

Eu vou desejar cores. Quero o vermelho para ir nas festas, e o azul para tomar banho de mar. Vou pegar o laranja e misturar com o amarelo para aqueles dias de verão bem quente. Não vou esquecer de usar o roxo para sentir saudade, e preto para viver meus lutos. Ah, e vou usar muito o branco... esse vai quase desbotar, rs! Vou usá-lo todos os dias para delinear meus vôos na pista das minhas reais ilusões. Quero uma festa de cores! Decidido.

E... voltando ao meu dia de amanhã, aquele em que deposito agora todas as energias que pulsam em mim, quero que me desperte, depressa, dizendo: "Vi o sol enluarar quando vi você!"

[ não sai da cabeça ]

Alma Nua
Vander Lee

Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor

Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima

Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta

terça-feira, 10 de novembro de 2009

[ mais uma história de amor ]

Naquele dia as mãos dele tocaram suavemente na minha cintura.

Conversávamos a caminho de casa e eu era embalada pelo compasso de seus passos, sendo conduzida como que numa valsa, entoada apenas dentro de mim. Era uma tarde alaranjada, com tom de outono, mas o calor do verão deixava rubras as nossas faces. Conversávamos sobre a aula de sociologia. Ele dizia-me estar indginado com tantas delongas para uma situação simples... Não entendia o porquê de existir um pensador para cada fato da história, do século, do mundo e de tudo. Sua inquietação acalmava-me. Ele era minha referência de simplicidade. E Ela, a dele. Eu o conheci ainda menina, e ele tornou-se o meu amor platônico desde a primeira vez que o vi. Crescemos juntos, ora amigos, ora irmãos, ora simplesmente vizinhos. Entramos para a faculdade juntos, como se o destino quisesse me testar pro resto da vida. Já não bastava tê-lo todo o dia, nos meus dias de infância e juventude... tive que encará-lo também no universo que considerava ser a primeira chance de me encantar por outrém. Mas que nada! Tudo do mesmo jeito. Ele roubando a minha atenção da atenção dos outros e assim sucessivamente. E eu gostava, deixava e me desconcertava.

Voltemos às mãos dele, que ainda seguram a minha cintura.

Inexplicável como pude sentir, naquela tarde de verão, o quanto éramos um do outro - eu dele mais que ele em mim. Deitamos no jardim de sua casa e deixamos os livros caídos ao nosso lado. O barulho que o vento fazia revirando as páginas embalava na minha mente a valsa que outrora dançávamos. Sua respiração era profunda e eu podia traduzir cada suspiro que ele dava por Ela, sua amada amante, a Natureza. Não conhecia ninguém que a contemplasse mais que ele... Ninguém que a exaltasse como ele... Tudo para ele era explicado com o céu, com as estrelas, com as flores e com o mar. Era difícil despertar-lhe a atenção e não consigo contar quantas vezes ele desapareceu dos meus dias, dizendo estar em um retiro "transcendental". Eu bem sabia para onde ele ia... ia refugiar-se do cotidiano acinzentado que a rotina o oferecia, no regaço acolhedor que só Ela o proporcionava. Quando ele escondia-se nessa temporada, eu bem sabia que demoraria em sua lua-de-mel com Ela... e que a mim restava o fel de sua ausência silenciosa e amarga.

Mas, enfim... voltemos à valsa do revirar das péginas.

Naquela tarde, em que havíamos mais uma vez nos rendido ao entardecer, ele surpreendentemente segurou minhas mãos com uma leveza insustentável e disse-me que não mais sentia vontade de oferecer para Ela toda aquela devoção. Desatou a dizer que aquele céu alaranjado e vibrante estava com lacunas, que o verde cintilante das folhas estava desbotado e que toda a maestria da natureza não o completava mais. Concentrei-me nas suas mãos com as minhas, não queria crer na provável hipótese de sua partida, não queria acreditar no que ouvia. Se ele estava frustrado com Ela, aquela que transubstanciava os seus desejos... o que retornaria ao seu rosto aquela beleza ensurdecedora e às suas palavras aquele perfume enebriante?

As páginas dos livros pararam de dançar, como se Ela houvesse sequestrado a brisa por estar enraivecida.

Com toda aquela aflição nos meus pensamentos... fui assaltada pelo silêncio que esbravejou entre nós. Ele já não mais segurava minhas mãos, e sim colocava sobre elas beijos levemente adocicados e efemeramente demorados. Estava mais perto do que nunca. Estava mergulhado em mim. E seus olhos nunca me mostraram tanta determinação. Eu, em pânico comigo mesma, não conseguia me concentrar, e tampouco entender aquele frenesi que me roubava o chão. Com a leveza de suas mãos, ele me segurou e, sem falar nada, disse-me que ELa não mais o encantava... Contou-me que Ela havia perdido sentido diante de todo o amor que construira... por nós. Sussurrou-me que cada retiro transcendental que fizera preparáva-nos para passar juntos a vida inteira que calculara sonhando com Ela.

O Sol se despediu, e o brilho ofuscante da Lua preparou nosso altar. Ali casamos e cedemos aos nossos delírios.



Naquela dia, em que suas mãos bailaram em minha cintura uma valsa nupcial, entreguei-me ao devaneio que me roubava um pouco de mim a cada instante que com ele queria estar. Rasguei o véu que me separava dos meus sonhos e comecei a costurar a história que antes existia apenas em mim, e que para minha suprema felicidade existiria, para sempre, em nós.

[ ciência + mentira + amor ]

Descobri que ler compõe um paradigma. É como se alimentasse e desnutrisse, simultaneamente. Nos útlimos dias, tenho lido bastante. De tudo. Até o que não devo. Tenho lido ciência, mentira e amor. Aliás, essas três circunstâncias somam uma só, concluí.

Do departamento ciência tenho angariado muita informação útil. Aprendi algo muito importante: a boa saúde não depende de oxigênio nos pulmões, tampouco de sangue nas artérias. É. Depende dele mesmo. Do nosso amigo/inimigo favorito: o dinheiro. Lendo, entendi que isso é bom. Pasmem! É bom porquê norteia a solução para a gama de dissabores que compõem o setor saúde no nosso país. Acompanhe comigo... Se o dinheiro estiver na mão de todos, todos terão saúde. Se a saúde depender do dinheiro, nunca vai acabar, uma vez que enquanto existir vida, existirá o homem e existirá o dinheiro. Homem + dinheiro + saúde = corrupção. Portanto, nosso páis terá saúde por um bom tempo. E tenho dito.

Do departamento mentira descobri que a felicidade alheia existe na minha cabeça. Portanto, para mim, o mundo é feliz ou infeliz, de acordo com a minha ótica. Posso considerar que a mulher mais feliz do mundo é a estudante da UNIBAN (aquela loira do vestido rosa que você provavelmente já viu sete vezes nas notícias da TV), que conseguiu notoriedade (e dinheiro e, portanto, saúde) ao ir para faculdade fantasiada de "brazilian girl". Ou, posso dizer que o homem mais infeliz do mundo é o Jesus Pinto da Luz, que conseguiu a fama (e dinheiro, e saúde) às custas da Madonna, mas não pode fazer usufruto desse status por não ter inteligência na mesma proporção que beleza. É, eu sei que parece egoísmo julgar a (in)felicidade alheia. Parafraseando uma amiga... "filosofia é trauma", rs, e portanto não cabe a mim nesse exato momento citar as correntes filosóficas que me fazem crer assim. Concluo afirmando que a felicidade está nos nossos próprios olhos, e não nas atitudes dos outros. É mentira julgar alguém feliz se você não compreende a felicidade dentro de si mesmo (momento terapia de grupo, eu sei... releve!) Feche os olhos e seja feliz.

E do departamento amor... descobri que a mentira é uma ciência. Apaixonei-me avassaladoramente por um HOMEM, mas acabei entendendo que a paixão por ele nutrida só existe dentro dos meus pensamentos, quando estou de olhos fechados, tentando ser feliz, mentindo cientificamente para mim.

domingo, 8 de novembro de 2009

[ conte-me de mim ]


Conheço-me tão bem, que pouco sei de mim.

Um dia disseram-me para ser mais ácida, posto que seria para sempre. Decidi, desde então, não ceder aos desejos de outrém... Percebi que sendo nos outros, deixava de acontecer em mim.

Então, resolvi deixar o barco à deriva e seguir à margem. Sem ser ácida. Nem doce. Sendo intensa. Provei sabores indescritíveis. Ouvi, de perto, a felicidade dizendo "vou com você". Foi quando descobri que o tempo é uma grandeza relativa. Quando desejamos, acontece, pena não haver triagem para o bom e ruim. Foi simples: desejei, aconteceu. Ora, surreal. Ora, fatal.

Quando desejei voltar ao barco, vi que perdera a viagem. Não por perder o porto, mas por estar em outros mares.

Avante. Apontei e segui. Corri, cansei, suspirei, quase desisti, mas cheguei ao lugar que jamais ousara imaginar. Cheguei dentro de mim. Descobri que o rio eram meus dias, que a margem era o tempo, e que o barco, as pessoas. Perguntei-me, então, o porquê da viagem ter mudado... o porto ter sumido... e o cenário não ser o mesmo... A resposta veio sutil, ligeira. Disse-me para acordar, posto que o dia já me convidava para a realidade.

[ encontre-me por aí ]

Demasiadamente, fugaz.
De maresia da mente, capaz.
Colhendo conchas e desabotoando o mar.
Com borboletas na rede e peixes no ar.

Ahh! Começo afirmando que, de fato, é bastante previsível e entediante encontrar o primeiro post de um blog justificando a existência do mesmo. Mas, dentre tantas coisas óbvias na vida, umas poucas estão mascaradas energicamente. E, além disso... já dizia o poeta... "Crer é muito monótono, a dúvida é apaixonante". Talvez entenda a partir de hoje o significado de eternizar as palavras, fora de mim. Talvez entenda que escrever pode trazer tanto prazer quanto conversar, ler, e ser.

Então, retiro-me. Deixo o breve espaço da sensibilidade para depois.

[ câmbio, desligo. ]